A Medigraf e a TeleAula são duas plataformas desenvolvidas na Altice Labs, com impacto no quotidiano de milhares de portugueses, aproximando-os de consultas médicas especializadas ou de salas de aulas que, de outra forma, ficariam a vários quilómetros de distância.

A necessidade de entender de que forma a inovação tecnológica pode ser aplicada no quotidiano do cidadão comum faz parte do ADN da Altice Labs. A empresa do grupo Altice dedicada à inovação tem como principal propósito o desenvolvimento de tecnologia para telecomunicações mas não descura a sua aplicação noutras áreas que podem beneficiar o dia-a-dia de todos. As plataformas Medigraf e TeleAula são disso exemplo.

Bernardo Cardoso, responsável pela área de investigação em televisão, digital e internet da Altice Labs, recorda como foi a introdução da Rede Digital com Integração de Serviços (RDIS), no início dos anos 90, que acabou por dar origem à Medigraf. A realização de vídeo chamadas era tida como a principal vantagem trazida pela RDIS mas, para a Altice Labs, “o desafio foi criar produtos que fossem além da mera comunicação entre pessoas”, recorda o responsável.

A Medigraf foi criada para dar resposta à escassez de médicos especialistas existente em determinadas zonas do país, muito ligado à unidade de cardiologia pediátrica do Hospital Pediátrico de Coimbra. “A Mediagraf foi concebida para permitir o acesso ao serviço de cardiologia pediátrica do Hospital Pediátrico de Coimbra, hoje suporta outro tipo de especialidades”, explica Bernardo Cardoso. Em termos técnicos, a plataforma de telemedicina partia do pressuposto de que a tecnologia e a largura de banda associada à RDIS permitiria estabelecer uma teleconsulta entre um médico de clínica geral ou de família e um especialista de uma determinada patologia, de forma a produzir um diagnóstico conjunto, estando o paciente junto do médico generalista.

“Mas o elemento diferenciador do Medigraf é permitir que no mesmo canal sejam comunicados elementos complementares de diagnóstico. Por exemplo, um médico de clínica geral pode realizar uma ecografia ao mesmo tempo que é acompanhado remotamente pelo especialista, que lhe pode pedir até para focar mais um sítio ou outro”, afirma Bernardo Cardoso, acrescentando que também são possíveis cenários de consulta offline. “O médico de clínica geral faz o seu diagnóstico, associa ao seu diagnóstico escrito os outros meios complementares de diagnóstico e pede uma segunda opinião ao médico especialista, que já se vai pronunciar offline. Mas o modo típico de funcionamento é em tempo real”, explica.

Ao longo dos últimos 20 anos a Medigraf registou múltiplas evoluções, a começar pelo tipo e dimensão do equipamento. “Inicialmente era necessário equipamento proprietário – era necessário um carrinho com um formato semelhante ao tipo de equipamento que está nos hospitais junto às camas – e passou a ter uma utilização mais simples e mais nómada, bastando um computador portátil com webcam e ligação USB. Hoje é uma aplicação web que pode ser usada em qualquer lado, por qualquer médico, desde que tenha acesso à internet”, congratula-se Bernardo Cardoso.

Além disso, foram sendo acrescentadas outras especialidades e novas funcionalidades, como a capacidade de visualização de ficheiros DICOM – os ficheiros que normalmente são entregues em cd’s com os relatórios de exames de imagiologia. “Fizemos uma atualização que permite aos dois médicos acederem e visualizarem o ficheiro simultaneamente. Mas podem estar várias localizações a comentar o mesmo ficheiro ou a avaliar o mesmo paciente”, diz.

Apesar de a Medigraf ser destinada ao uso entre médicos, é sobretudo o cidadão comum que é beneficiado, sendo poupado a viagens de centenas de quilómetros. “Há muito poucos especialistas de cardiologia pediátrica no país e, caso não existisse esta solução, pacientes grávidas ou bebés muito novos seriam obrigados a fazer viagens para ser avaliados, nomeadamente a partir dos Açores”, alerta Bernardo Cardoso, que destaca o facto de, apenas em 2015, a Medigraf ter permitido que mais de 3600 consultas de cardiologia pediátrica fossem realizadas remotamente.

Apesar do serviço de cardiologia pediátrica do Hospital Pediátrico de Coimbra ter sido o “cliente” inicial da Altice Labs, atualmente a Medigraf existe em várias versões, estando ligada a diferentes unidades de saúde e também é usada em países como Cabo Verde, Angola e São Tomé e Príncipe. Neste último caso, a plataforma é usada naquilo a que Bernardo Cardoso designa como “formato de missão”. “Em alguns dos casos há necessidade de intervenção cirúrgica – em otorrinolaringologia, por exemplo-, e a plataforma é usada para fazer a triagem, sendo depois é criada uma missão em que os médicos se deslocam a São Tomé e realizam a intervenção, fazendo o acompanhamento pós-operatório através do sistema remoto”, concretiza Bernardo Cardoso. Para o responsável da Altice Labs é um bom exemplo de como a tecnologia permite uma solução que, de outra forma iria implicar custos monetários e pessoais, com desconforto acrescido para o paciente.

A utilização da Medigraf vai continuar a evoluir, estando neste momento dois projetos em fase de implementação. Um deles tem como objetivo instalar o sistema em ambulâncias com a plataforma, de modo a que os dados do doente sejam enviados – mesmo com o veículo em movimento – ao CODUS e ao hospital antes da chegada às urgências. “Etamos a desenvolver o projeto em conjunto com um fabricante de ambulâncias, para que que o veículo venha logo com esta funcionalidade, em conjunto com 4G e 5G, para comunicação de dados”, explica Bernardo Cardoso.

Por seu turno, e apesar de ser usada em situações muito distintas, a TeleAula pode ser considerada uma “plataforma irmã” da Medigraf. “As duas têm tecnologias idênticas e sofreram uma evolução tecnológica no mesmo sentido”, sublinha o responsável da Altice Labs.

Tal como a Medigraf, também a TeleAula exigia inicialmente um hardware específico que era instalado em computadores em escolas e em casa dos alunos que estavam limitados na sua deslocação às aulas. Tal como a Medigraf hoje pode ser usada a partir de um computador portátil com webcam. “No caso da escola, mantém-se a existência de um hardware específico que é a existência de uma câmara PTZ que permite ao aluno direcionar a câmara remotamente para onde pretende – o quadro, o professor ou para os colegas, por exemplo”, afirma Bernardo Cardoso, que explica que a plataforma também pode ser usada sem recurso a esta câmara. “Usa-se este hardware para haver uma melhor integração do aluno que assiste remotamente”, admite.

“Normalmente nos cenários de formação à distância, como se presume que há vários alunos, quem tem o controlo do que se passa é o professor. Aqui, o cenário é um bocado invertido porque quem tem o controlo quase integral do que está a ser transmitido é o aluno”, explica Bernardo Cardoso.

No que toca à evolução do produto, foram sendo acrescentadas capacidades de o professor poder passar determinado tipo de dados para o aluno, por exemplo apresentações em powerpoint. Além disso, a TeleAula também permite uma comunicação multiponto, tornando possível que uma turma tenha mais do que um aluno a assistir remotamente, e ainda a capacidade de o aluno gravar a aula para assistir mais tarde.

Ao contrário do Medigraf, a TeleAula não tem caráter comercial. É fornecida às escolas pela Fundação Altice a título de empréstimo, com todo o equipamento, incluindo o microfone de largo alcance ou o microfone de lapela que permite ao professor movimentar-se livremente sem que o aluno que assiste remotamente deixe de o ouvir.

“É um produto social da Fundação. Funciona com base num patrocínio da Fundação Altice e, à medida que há orçamento para novos desenvolvimentos, vamos migrando funcionalidades que foram feitas para o Mediagraf– como esta da gravação de aulas – bem como outras feitas a pedido”, conclui o responsável da Altice Labs.