O que a inovação pode fazer por nós e pelo planeta e o que podem a sociedade e as empresas fazer pela inovação? O debate na TSF.

A inovação tecnológica esteve uma vez mais em discussão na mesa redonda organizada em conjunto pela TSF e a Altice que decorreu na passada sexta-feira, 10 de janeiro. O debate teve a participação de Nuno Nunes, Chief Sales Officer B2B da Altice Portugal, Ana Patrícia Monteiro, responsável pelo Ecossistema de Inovação da Altice Labs e coordenadora do projeto do Altice International Innovation Award, Luís Valente, vencedor da categoria Startups do Altice International Innovation Award, da iLoF, e Inês Rito Lima, vencedora da categoria Academia do Altice International Innovation Award com o projeto Neural Motor Behaviour in Extreme Driving. Em conjunto refletiram sobre o que é que a inovação pode fazer por nós, pelo planeta e também o que é que a sociedade, como um todo, pode fazer pela inovação.

Numa tentativa de definir o conceito de inovação, Nuno Nunes sublinhou que esta deve estar assente em dois pilares fundamentais: aportar melhorias à vida das pessoas e ser economicamente viável. “Se o que produzimos não melhorar a vida das pessoas, não é inovação”, afirmou o administrador do segmento industrial da Altice, que avançou com a Box Audiozapping como um bom exemplo de inovação. “Se a inovação não aportar valor à sociedade será uma invenção e não passará disso”, referiu, na mesma linha de raciocínio, Ana Patrícia Monteiro. “A plataforma de telemedicina é um exemplo de como tentámos recorrer à tecnologia para que as pessoas que estão longe dos centros urbanos acedam aos cuidados de saúde”, referiu a responsável pelo Ecossistema de Inovação da Altice Labs. “A inovação permite fazer com que sejamos cada vez mais felizes e tenhamos uma maior qualidade de vida”.
Convidada a entrar no debate, Inês Rito Lima apontou a inovação como “a evolução natural de qualquer processo”, sublinhando a cada vez maior exigência da sociedade. “As pessoas procuram mais soluções, melhores e mais alternativas”, referiu. Perante este cenário, cabe à academia “identificar os problemas e ir mais além” nas soluções que propõe para eles.

Por seu turno, Luís Valente destacou o facto de boa parte da inovação ser atualmente desenvolvida por startups, que conseguem acompanhar a velocidade do quotidiano atual. “Pessoas diferentes querem coisas diferentes e a única forma de resolver este problema é através da inovação”, afirmou.
A reflexão sobre o impacto que a inovação pode ter sobre o planeta trouxe à mesa vários exemplos que fomentam uma maior sustentabilidade ambiental. Nuno Nunes referiu a importância da existência de uma rede de fibra ótica e de uma rede móvel para o desenvolvimento de algumas das soluções criadas pela Altice neste âmbito. Aplicações de telemetria da água que permitem uma gestão mais eficaz na rede de abastecimento urbano ou de sistemas de rega, soluções que permitem medir a qualidade do ar ou sondas que aplicadas aos contentores urbanos garantem uma gestão mais eficaz dos resíduos, são apenas alguns dos exemplos de como a inovação pode trazer ganhos à sustentabilidade ambiental.

O projeto Altice International Innovation Award é outro exemplo de fomento de inovação, desenvolvido com intuito de apoiar o ecossistema empreendedor e académico, e de criar pontes com o tecido empresarial, com projetos desenvolvidos nas áreas dos media, conteúdos, dados e telecomunicações. Vencedora na categoria de Academia na edição de 2019 com o projeto Motor Behaviour in Extreme Driving, Inês Rito Lima explicou de que forma é possível fazer o cruzamento e análise da informação recolhida sobre as reações neuro-cognitivas e neuromotoras do campeão mundial de Fórmula E, de modo a tentar avaliar e prever a performance do ser humano e tirar ilações a nível industrial, nomeadamente em sistemas de condução automática. “As reações são diferentes num piloto de competição e num condutor comum e o objetivo foi medir as reações otimizadas e perceber quais as diferenças que devem ser transpostas quando se está numa curva muito apertada ou quando há perda de controlo da viatura”, explicou a investigadora.

Por seu turno, Luís Valente, que venceu a categoria Startup com o projeto iLoF, o qual utiliza inteligência artificial sobre big data para analisar a informação recolhida nos rastreios para os ensaios clínicos nos doentes de Alzheimer, com vista a uma redução de custos e uma seleção de pacientes mais eficaz, apontou as várias vantagens do projeto, nomeadamente a possibilidade de, no futuro, cada indivíduo receber o tratamento mais indicado para o seu tipo de Alzheimer.

A mesa redonda terminou com a discussão sobre o papel das empresas enquanto motores de inovação. Depois de Ana Patrícia Monteiro sublinhar o papel das grandes empresas no desenvolvimento e apoio de soluções inovadoras, foi a vez de Nuno Nunes referir o exemplo da Altice, nomeadamente através da criação da Fundação Altice. “Temos a obrigação de devolver ao mercado, à sociedade, aquilo que este nos dá. Porque, para nós, cuidar das pessoas é o mais importante”.